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Foto: Fernando Azevedo |
O que é Poesia?
Para mim
Não é pão
Não é feijão
Não é chão não!
É sonho
É desejo
De voar
Sair plainando
Nos ventos
De Oyá
Meu Berço
Pernambuco
Multicultural
Do melhor carnaval
Da terra dos bonecos gigantes
Olinda minha gênese
Pernambuco
Do frevo
Maracatu de Seu Luiz de França
Da ciranda de Dona Duda, Lia de Itamaracá
Do Xangô de Mãe Amara, Oxalá de Dona Dadá
Pernambuco
Do Afoxé Ilê de África
Ará Odé, Alafin Oyó, Ilê de Egbá e Oxum Pandá
Todo o axé do Pátio do Terço, tambores silenciosos
Baile perfumado de Badia
Pernambuco
Do forró de Gonzagão
Do Xaxado do roçado
Lampião, do inestimado
Rei do Baião
Pernambuco
De rimas e prosas
Hip hop do Cais de Santa Rita ao Sertão
Dos lendários Faces dos Subúrbios
Aos negros Zulus irmãos
Pernambuco
De Inaldete, Lepê
Serra da Barriga, Caxinguelê
Coisa de preto, lindo de se vê
Pernambuco
De negras tranceiras
Parteiras e Benzedeiras
Hastes Brasileiras do Orí
A cabaça do mundo fluí
Pernambuco
Do Mestre Salú
Riqueza cultural inesgotável
Inestimável maracatu rural, cavalo marinho, bumba meu boi
Depois a encantada rabeca faz foguetos virá brinquedos
Pernambuco
De Tatá Raminho
Paulo Brás
Valdir Afonjá, Ívano
Anastácia e Afro Camarás
Pernambuco
De movimentos
Pátio de São Pedro
TERÇA NEGRA
Resistência espaço de fomento
Pernambuco
Do coco de Mãe Biu da Xambá
Do ritmado som do Bongá
O Raízes de Quilombo
Ao bater do tambor faz o morro balançar
Pernambuco
De Sol
De Solano Trindade
Que faz poesia de preto ganhar movimento
Protestando com zunido de trem
Pernambuco
Das máscaras de seu Julião
Capoeira de Sapo e Ceça Axé
Faz o chão brilhar de estrelas
Com Mestre Meia Noite no Daruê
Pernambuco
De Malunguinho, Vicente Saberé, Majê Molê
Mercado de São José, Backnaré
Alto da Sé, Palácio de Yemonjá
Samba de Preto Velho, Amalá
Pernambuco
De Naná Vasconcelos
Coral Voz Nagô
Meu coração percussivo
O rio Capibaribe abraçou
Pernambuco
Afro Cultural
Artes mil
Coração da Resistência Negra
Latente deste Brasil!
Baobá
Cresce no meu peito
Um envelhecido Baobá
Cheio de histórias
E riqueza a prosperar
Frondosa e generosa
Sua experiência a
Minha se completou
Longevidade e generosidade
Acolheu a minha dor
Baobá centenária e lendária
Baobá Africana
Guardiã de segredos
Acolheu os meus medos
Fortaleceu-me como suas raízes.
No Compasso
Quando penso em poesia
A melodia entra pelos porós
Pelos olhos
Pelos fios crespos da minha cabeça
Tem cheiro
Cor e som
Todo o Cortejo do Maracatu
Leão Coroado
Sou rainha,
Ou Dama do passo
Meu coração não pára
As pernas tremem
Com assonâncias
E aliterações
Emoções, canções
Loas em versos
Reflexo de África
No compasso
Histórico e poético
A vida se refaz
Se compraz
A cada batida da alfaia
Repercussivo, respectivo
Relativo ao andamento.
Iabás
Oyá dona dos ventos
É a força do movimento
Da natureza, início, meio e fim
Obá
Mulher guerreira
Valentia igual não há!
Oxum Deusa
Das águas doces
Água encanto da vida
Iabás senhoras formosas
De encantos e prosas
Exalam o perfume das rosas
Recomeço
Já que não posso ir à África
Trago ela para dentro de mim
Pelo meu Orí
Pelo meu falar
Ato de gesticular e cantar
Coloco um turbante
Faço tranças no cabelo
Tudo muito elegante
Lá no Terreiro falo iorubá
Escuto histórias de Deusas
Oxum, Oyá e Obá
Força, energia e vitalidade
Somente por ela
Mãe África é ela
Quem ensina a recomeçar!
Poesias de Rosangela Nascimento ao utilizar por gentileza citar fonte.
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