“Quando
A Cor Da Pele Fala Mais Alto”
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Foto:Fernando Azevedo/Modelo Fotográfico Joana D'arc Santana |
Por : Rosangela Nascimento
Nunca pensei que viver fosse
tão difícil, mas nem sempre tudo que vemos ou vivemos é suficiente. Embarquem
sejam bem vindas ao mundo real! É preciso pensar um perfil para descrever
alguém? Descobri que isto acontece quando as pessoas são negras.
Existe momento que estamos
tão fragilizadas, que o ar que respiramos nos sufoca, é tomado e corrompido, a
luta empoderada é o que nos mantém de pé, é aquela mão que bate no teu ombro e
te diz! Segue em frente irmã, não estais sós!
Então, caminhar fragilizada, esteve, mas para seguir em frente deverá aliviar
a bagagem, e o exerço de peso neste trajeto, não é necessário. O bom é deixar fluir para brotar, e mudar para
transformar.
Falando em transformar,
aparece uma força motriz, não se sabe mesmo de onde vem, mas ela alimenta,
convoca para o surgimento de uma guerreira, de coroa, pulseiras e glamour.
Assim como as Yabás, Deusas do amor e da guerra, verdadeiramente baluartes. Nesta
hora tocam todos os tambores, em vários ritmos e cadencias sincopado.
Quiçá, que os ventos bravios de Iansã nos leve para bem longe, onde habite tudo que é bom, que favoreça o crescimento individual, que seus raios iluminem o caminho. Que Obá nos fortaleça em cada batalha do dia a dia. Oxum nos console e nos embale, como no ijexá que nos permite criar e recriar passos curtos e felizes, que a riqueza seja sempre renovada de bons atos e sentimentos harmoniosos. Então é isso, com toda relevância a cada passo um novo ato, uma nova cena, e nesta hora a grande mãe generosa e acolhedora Iemanjá, como as ondas do mar, renovam, recria e acolhe com toda sabedoria.
Vejamos, são em momentos vexatórios,
humilhantes, desumanos, preconceituosos e estereotipados, formas simbólicas que
a cor da nossa pele faz a diferença, pois o racismo destroça tudo que vem pela
frente, a condição de ser mulher e negra, irá nos caracterizar impondo regras e
apagando nossas histórias. Em todos os casos de racismo/preconceito o lugar que
ocupamos é o diferencial. Certamente nós mulheres negras, estamos amparadas e
fortalecidas pelas Yabás, como o racismo se camufla de afetos e gestos que confundem.
Por outra perspectiva, o poder da energia espiritual nos fortalece na percepção
da sabedoria, na força e garantia da vitória, pois a natureza apresenta experiências positivas e negativas. Cabe a
cada uma de nós buscarmos alimentos positivos para o nosso corpo e mente, palavras que acolhem e fortalecem despertando o que temos de mais belo em nós. Essa via não é de mão única, que sejamos livres
e sutis de qualquer negatividade, que a cor da nossa pele não seja alvo de preconceitos
e discriminações compondo uma etiqueta ou rótulo. Sejamos guerreiras, verdadeiramente
Yabás, deusas do amor e da guerra, que lugares, palavras despertem o que há em
nós de mais fortalecedor.
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