sexta-feira, 25 de maio de 2018

A África em mim. Saúda a África em você!

25 de Maio dia Mundial da África

                                                                                                                  Por: Rosangela Nascimento

Recomeço

Já que não posso ir à África
Trago ela para dentro de mim
Pelo meu Orí
Pelo meu falar
Ato de gesticular e cantar
Coloco um turbante
Faço tranças no cabelo
Tudo muito elegante

Lá no Terreiro falo iorubá
Escuto histórias de Deusas
Oxum, Oyá e Obá
Força, energia e vitalidade
Somente por ela
Mãe África é ela
Quem ensina a recomeçar!


O dia 25 de maio é considerado dia da África desde 1963, foi criando nesta data a Organização de Unidade Africana (OUA), na Etiópia, objetivando proteger e emancipar o continente africano. Foi em 1972 , que a organização das Nações Unidas (ONU) estipulou o dia 25 de maio como Dia da África, ou Dia da Libertação da África. 
A OUA, não demostrando competência para solucionar os conflitos cotidianos dos territórios, pois os índices econômicos não eram favoráveis, os golpes de estados e guerras civis se espalhavam por várias partes do Continente.
Portanto, no dia 12 de julho de 2002, o Presidente da OUA, o Sul-africano, Thabo Mbeki declarou o fim da organização de Unidade Africana, assim surgiu a União Africana (UA), vislumbrando sobrepujar os problemas apresentados pelo continente.
Pensando em solucionar os desafios, o dia 25 de maio, foi o princípio, o impulso, o querer de uma África livre, com seus governos, aspirações de um futuro igualitário.
O mundo celebra o dia da África, porém o feriado só acontece nos países como o Gana, o Mali, a Namíbia, a Zâmbia e o Zimbabwe.
No Brasil o dia é dedicado para reflexão, reconhecimento da história e da cultura africana. Lembrando a luta pela independência do continente africano, contra o Apartheid, logo o anseio pela organização, união e liberdade plena do povo africano.
África em mim, saúda a África em você revelando toda beleza, diversidade e riqueza cultural herdada e cultivada na nossa memória. 

domingo, 20 de maio de 2018

MOSTRA DE FILMES AFRICANOS DO RECIFE

#Socializando
Pernambuco Afro Cultural 

SINOPSES | 23 a 26 de Maio de 2018 | CINEMA SÃO LUIZ

Às 19:00 horas

Félicité

Direção: Alain Gomis
(Senegal, França, Bélgica, Alemanha, Líbano, 2017, 123’)

 


Félicité é uma mulher orgulhosa e independente que trabalha como cantora em um bar de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. Sempre que ela sobe ao palco, parece deixar todas as preocupações de lado. Mas um dia, seu filho sofre um terrível acidente. Enquanto ele está no hospital, ela tenta desesperadamente conseguir dinheiro para sua operação, e começa uma jornada pelas ruas pobres e pelos bairros ricos da cidade. Um dos clientes do bar, um homem chamado Tabu, se oferece para ajudá-la. Relutante, Félicité aceita.

África sobre o Sena

Direção: Mamadou Sarr e Paulin Vieyra
(Senegal, França,  1957, 21’)


A África está na África sobre as margens do Sena ou no Quartier Latin? Interrogações "meio-amargas" de uma geração de artistas e estudantes à procura de sua civilização, sua cultura e seu futuro.

O Retorno do Aventureiro

Direção: Moustapha AlassaneDe
(Níger, França, 1966, 34’)



Regresso de uma viagem aos Estados Unidos, um jovem nigeriano oferece aos amigos da sua aldeia adereços de cowboys. A gangue vai perturbar a vida da aldeia e vai transformá-la em cidade de faroeste.

Contos cruéis de guerra

Direção: Ibea Atondi
(Congo, França, Mauritânia 2002, 51’)


Através da narração de uma volta ao Congo-Brazzaville, seu país natal, Ibea Atondi lança um olhar singular sobre as guerras da África contemporânea. Fascinada com a loucura assassina de Mignon, um miliciano destruído pelo álcool e pela droga, a narradora tenta descobrir os mecanismos que o levaram, ele e seus companheiros, a perder toda a dignidade humana. Para evocar o horror da guerra, não há imagens de violência, mas um trabalho metafórico apoiado pelos depoimentos de vítimas e carrascos.

À espera dos homens

Direção: Katy Ndaye
(Senegal, Bélgica, 2007, 52’)


Oualata, uma cidade vermelha na extremidade do deserto do Saara. Neste abrigo, frágil muralha contra a areia, três mulheres praticam pintura tradicional, decoram as paredes da cidade. Em uma sociedade aparentemente dominada pela tradição, religião e homens, essas mulheres se expressam sem reservas. Comentam livremente sobre o relacionamento entre homens e mulheres.

São eles os cães

Direção: Hicham Lasri
(Marrocos, França, 2013, 85’)


Depois de vinte anos na cadeia, um prisioneiro político é solto em meio à Primavera Árabe. Uma equipe de televisão está fazendo uma reportagem sobre os movimentos sociais no Marrocos e decide segui-lo pelo seu passado.

Wùlu

Direção: Daouda Coulibaly
(Mali,França, Senegal, 2016, 95’)


Ladji tem 20 anos. Ele trabalha duro como um piloto aprendiz em Bamako. Quando uma promoção que ele acredita ser merecida lhe é negada, decide entrar em contato com Driss, um traficante de drogas que lhe deve um favor. Com dois amigos, Ladji mergulha no universo do tráfico de cocaína.

Por que esperei até ter 40 anos para dizer que sou lésbica

#LGBT

"Sou uma mulher negra, criada por mãe solo e religiosa que nunca me incentivou a buscar nada senão Deus, um marido e filhos."

Foi um alívio mostrar a minhas melhores amigas quem eu sou de verdade, mas eu ainda estava nervosa, sem saber como reagiriam meus familiares religiosos."

Eu nunca quis ser lésbica. Fui criada por minha mãe solo, que me ensinou que a homossexualidade é a única abominação que Deus não perdoa. Durante minhas três primeiras décadas de vida, tentei de tudo para expulsar minha natureza. Eu passava noites incontáveis chorando de joelhos, suplicando para Deus tirar isso de mim, sem entender por que ele teria me feito carregar essa cruz se ser homossexual era realmente pecado. As noites que eu não passava rezando eram passadas embaixo de inúmeros homens cujos nomes eu nem me dava ao trabalho de descobrir. Eu pensava realmente que, se transasse com homens suficientes, isso faria minha heterossexualidade pegar no tranco. Não funcionou, é claro.
Quando eu tinha 23 anos e estava morando em Los Angeles, comecei a trabalhar num call center, recebendo ligações para um serviço de encaminhamento a dentistas. Foi ali que me apaixonei para valer pela primeira vez, por uma colega de trabalho. Quando ela percebeu o que eu estava sentindo, graças à minha falta de sutileza, me denunciou para o call center inteiro.
A humilhação me obrigou a sair da empresa e começar a trabalhar com vendas, onde continuei a evitar minha sexualidade e a transar com homens. Com 31 anos, me matriculei numa faculdade pública e continuei a fazer de tudo para fugir da minha sexualidade – trabalho, estudos, álcool, noitadas. Mas aos 32 anos fui internada às pressas, com diagnóstico de gastrite e duas úlceras. Entendi então que não conseguiria expulsar minha homossexualidade com orações. Finalmente admiti para mim mesma que eu era lésbica. Ali mesmo no leito do hospital, resolvi que em vez de ficar onde eu estava e evitar minha sexualidade, eu iria embora.
Passei noites incontáveis chorando de joelhos, suplicando a Deus para tirar isso de mim, sem entender por que ele me fez carregar essa cruz de ser homossexual se isso era realmente pecado.
Comecei a me candidatar a cursos universitários de quatro anos para onde pudesse pedir transferência, e pouco tempo depois de completar 33 anos, larguei meu emprego na Califórnia e me mudei para Nova York, onde fui morar no Harlem e estudar na NYU. Eu tinha uma meta na cabeça: ser verdadeira a mim mesma e abraçar minha sexualidade. Nova York me pareceu que seria o melhor lugar para fazer isso. Depois de me mudar para lá, entendi que não era a vergonha de minha mãe que me estava impedindo de ser quem eu era: era minha própria vergonha. Em Nova York, eu falava com minha mãe com frequência e pensava honestamente que poderia abraçar ser lésbica e conservar um relacionamento com ela. Nunca parei para refletir sobre os efeitos que manter segredo teriam sobre mim, minha vida amorosa e meu relacionamento com minha mãe.
Mesmo estando a milhares de quilômetros de minha família, eu não conseguia simplesmente pressionar um interruptor e virar abertamente gay. Dois meses depois de me mudar para Nova York, finalmente criei coragem de ir ao meu primeiro bar de lésbicas. No frio, embarquei no metrô da linha D e fui para o centro. Quando cheguei perto do bar, vi algumas mulheres – imaginei que fossem lésbicas – do lado de fora, fumando cigarros, sorrindo e dando risada. Dominada pelo medo e a vergonha, passei reto e, em vez de ir àquele bar, fui a outro bar nas proximidades e bebi até afogar meu sentimento de vergonha. Tentei imaginar como aquelas mulheres podiam amar a si mesmas, sendo como eram. Como eu faria para chegar a isso? Voltando para casa, tomei a decisão de nunca mais tentar aquilo. Tinha me provocado ansiedade demais.
Só consegui me sustentar em Nova York, vivendo na cidade e estudando na NYU, por um ano. Depois desisti. Eu não podia voltar para casa, então em janeiro de 2012 resolvi me mudar para Las Vegas e estudar na Universidade de Nevada. Seria a mesma ideia: eu seria lésbica em outro estado e conseguiria meu diploma de faculdade. Percebi que ir a um bar representava pressão demais para me relacionar com outras lésbicas, então em 2015 me aventurei no namoro online e conheci uma mulher. Estar com ela foi o início de meu processo de me compreender. Eu estava apaixonada e queria que o mundo inteiro soubesse, mas ela estava no armário. Foi uma coisa arrasadora, porque, além de meus próprios problemas de sentir vergonha de mim mesma, agora eu estava lidando com os dela também. No final, não consegui mais encarar, e nos separamos. Tudo o que eu queria era poder ligar para um serviço de terapia familiar pelo telefone e me abrir com quem atendesse, mas eu não podia.
No final de 2015 eu estava com 38 anos, tinha me formado na faculdade e estava mais do que pronta para voltar para casa, para Los Angeles, mas ainda não pretendia me assumir como lésbica diante da minha família. Levei mais seis meses para decidir que eu precisava fazer terapia. Foi assim que me vi sentada diante de uma mulher branca de 30 e poucos anos, chorando loucamente e contando a ela que eu não queria ser gay. Tentei imaginar se ela teria condições de compreender realmente como é ser uma lésbica negra. Será que ela sabia que a comunidade negra é notoriamente homofóbica? Sou uma mulher negra, criada por mãe solteira e religiosa que nunca me incentivou a buscar nada senão Deus, um marido e filhos. O fato de ter crescido em conflito entre quem eu era e quem ela queria que eu fosse me provocava muita dor, confusão e depressão.
Sou uma mulher negra, criada por mãe solteira e religiosa que nunca me incentivou a buscar nada senão Deus, um marido e filhos.
Me perguntei se a terapeuta teria como me ajudar a encarar o fato de que sair do armário implicaria perder o amor e a aceitação de minha mãe. Ela poderia me ajudar a ganhar força suficiente para realizar o que eu me propunha a fazer? Uma vez por semana eu passava 90 minutos sentada num consultório bege com decoração discreta, aprendendo a dizer "sou lésbica". Fiz cinco meses de terapia até começar a contar às pessoas.
Pouco antes de completar 40 anos, resolvi contar primeiro a uma prima minha, e ela me deu todo o apoio. Outros amigos também me apoiaram, mas eu tinha medo de me assumir diante de minha melhor amiga. Ela nunca tinha mostrado apoio aberto à homossexualidade. Na realidade, os gays muitas vezes eram os alvos de suas piadas. Quatro meses depois de me abrir com minha prima, procurei minha amiga, e, para surpresa minha, ela me deu apoio total. Meu medo todo tinha sido desnecessário. Minha amiga passou os últimos 20 anos tentando servir de casamenteira para mim; acho que esse papel dela não mudou, só que agora ela me apresenta para mulheres, em vez de homens.
Foi um alívio mostrar a minhas melhores amigas quem eu sou de verdade, mas eu ainda estava nervosa, sem saber como reagiriam meus familiares religiosos. Eles me rejeitariam? Depois de pouco a pouco começar a contar outros primos e parentes, percebi que essas pessoas todas gostavam de mim de verdade e não se importavam com quem eu namorasse. Só queriam que eu fosse feliz. Mas ainda faltava eu falar com minha mãe.
Era uma noite de sábado. Minha mãe e eu estávamos sentadas num restaurante Roscoe's Chicken. Inicialmente tentei dizer que eu era bissexual, na esperança de acostumá-la à ideia aos poucos. É claro que isso não funcionou – apenas lhe deu a falsa esperança de que eu ainda poderia namorar um homem. Ela disse terminantemente que nunca aceitaria que eu fosse lésbica, mas não chegou a dizer que isso era nojento ou que eu era nojenta.
Desde então, tenho tido uma conversa contínua com ela. Quando a Tchetchênia promoveu um expurgo dos gays, minha mãe falou que é melhor que o governo os pegue antes que Jesus o faça.
Dizer que aos 40 anos eu não anseio pela aceitação e aprovação de minha mãe seria mentira.
Minha mãe me disse que, se eu me casar algum dia, ela não vai ao casamento. Embora seja isso que mais me doa, fui obrigada a entender que esse é um problema dela, não meu. Mereço ser feliz na vida, e não devo ter vergonha de ser quem eu sou. Minha mãe e eu ainda nos falamos, mas agora falta intimidade no nosso relacionamento. Ela não sabe nada da minha vida nem das mulheres com quem saio. E não quer perguntar sobre isso. Nosso relacionamento se limita a falar generalidades sobre política ou as coisas que estão acontecendo na vida dela. A posição dela sobre minha sexualidade não mudou, e, como ela tem 75 anos, não imagino que vá mudar.
Dizer que aos 40 anos eu não anseio pela aceitação e aprovação da minha mãe seria mentira. Eu quero muito, mas percebi que não preciso disso para ser feliz. Alguns dias são melhores que outros, mas na maioria dos dias eu me vejo caminhando com uma nova visão de quem sou e com nova confiança, pelo fato de ser lésbica assumida.
Sair do armário aos 40 anos foi a coisa mais libertadora que pude fazer por mim mesma, e a única coisa que lamento é não ter feito isso antes. Não passo mais minhas noites chorando, e, com o encorajamento de minha terapeuta, minhas amigas e mentoras, olho com confiança e prazer para o futuro, querendo aproveitar minha nova vida como lésbica e me libertar de qualquer resquício de sentimento de vergonha.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Morre Mestre Afonso, do Maracatu Leão Coroado

#Luto
#Socializando
Foto: Jornal local



Socializamos por meio deste que, Afonso Gomes de Aguiar Filho, ou, melhor dizer. Mestre Afonso do Leão Coroado, foi para o Orun na noite deste domingo (15), passou mal em uma festa dedicada ao Orixá feminino Oxum, foi conduzido à uma Unidade de Pronto Atendimento em Olinda/PE, e não resistiu e foi ao encontros dos seus ancestrais. 
Com seus 70 anos, liderou a nação mais antiga de Pernambuco, o Leão Coroado. Seguindo os passos e ensinamentos do seu Luiz de França. 

O velório será no Terreiro, na Estrada de Água Fria Olinda-PE, Terreiro São João Batista. 
Todos os Batuqueiros/as estão sendo convocados/as para participarem do Cortejo com saída marcada para as 15:00 horas, da Sede do Maracatu Leão Coroado. Que todos e todas estejam vestidos e vestidas de branco!  


quarta-feira, 28 de março de 2018

Mulheres de Wakanda!



Google Imagens

Por: Rosangela Nascimento

Em primeiro lugar, o Filme mais comentado de todos os tempos, para, o povo negro é com certeza o “Pantera Negra”. O super herói de quadrinho da Marvel, que narra a história do príncipe T’Challa, que já arrecadou mais de US$1 bilhão em bilheterias.

Ainda estou sobre o efeito do filme, não apenas pela boa qualidade do mesmo; e o conjunto da obra. Mas, pela força das mulheres negras ali deliberadamente exibida com glamour.

Posteriormente, ao que vi, e senti. Já estava totalmente envolvida, embriagada com aquelas mulheres “ficcionais”, empoderada e tão reais. E assim, fui buscando suas características. 

Uma Matriarca forte e sábia, disposta a tudo inclusive ver seu filho morrer por um ideal, pela manutenção de um reinado justo e igualitário.

Uma jovem, corajosa, critica e engajada socialmente, que desbrava o mundo e acredita que pode ajudar a melhorar a vida de outras pessoas, compartilhando a riqueza que se tem.

As que cuidam da erva coração, das flores azuis, das ervas que alimentam o espírito e a alma felina.

Uma líder, General com uma lança na mão, se movimenta como um raio de Iansã, que enfrenta um rinoceronte, o homem  amado pelo que acredita que é certo.

Um exército composto por outras mulheres/irmãs, de espíritos tão guerreiros que fizeram lembrar-me de Nzinga e Dandara dos Palmares.

Uma jovem atenta e conectada com o mundo, e o melhor que a tecnologia pode oferecer. Além disso, assume o compromisso em levar aos jovens negros seus conhecimentos.

Todas juntas, por único objetivo, proteger seu povo, seu país e seus tesouros naturais. Todas por Wakanda! 

Vale apena dizer, Wakanda é uma nação fictícia, utópica e afrofuturista. Aliás, é mais um sabor a ser acrescentado, nesta obra cinematográfica tão bela.  

Vejo todas estas mulheres, sempre, ao nosso entorno. Cada qual com seu fazer, ao seu tempo, momento. Mas, nunca sozinhas, ou, isoladas. Estarão sempre interligadas pela teia, o fio da vida que as unem pela luta contra a opressão contra mulher, preconceito e o racismo.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Mãe Elda de Oxóssi

#Heroínas Anônimas



Se não for por amor não vai em frente. Eu não tenho casa, quem tem é o maracatu, eu tenho a comunidade dentro da minha casa, cuidando das coisas do maracatu. Quando eu vejo aquele batuque do maracatu na rua, chega a doer, eu choro de emoção. (Elda Viana)


 Elda Ivo Viana, mais conhecida como Mãe Elda de Oxóssi é Ialorixá e rainha do Maracatu Nação Porto Rico. Viúva por seis vezes, criou seus filhos e comprou seu barracão com a venda de frutos do mar na Praia do Pina, dando “aulas de reforço para crianças”. Hoje, Dona Elda promove diversas atividades culturais na comunidade. Diz ela que os vizinhos reclamam quando não há ensaios das agremiações, nem festa no seu barracão, pois todos se envolvem direta ou indiretamente: a vizinhança, seus filhos, noras, genros, outros parentes e filhos da religião.
  A Ialorixá declara que sua marca no maracatu foi a construção de uma grande sede erguida por ela, a qual funciona como residência e barracão, ocupando um quarteirão do bairro. No local são guardadas centenas de fantasias e adereços do maracatu e do Urso Zé da Pinga - agremiação fundada por ela, Edileuza (sua filha biológica e atual presidente da agremiação), entre outras pessoas. Destaca ainda que foi ela quem introduziu ricas vestimentas no maracatu e que seu filho Chacon “modificou a batida do baque virado”, diferenciando-o dos demais grupos recifenses. Dona Elda é a única Rainha de Maracatu viva, coroada ainda com as bênçãos da Igreja Católica. Aquelas que a precederam foram coradas em cerimônias realizadas dentro do Candomblé.


Fonte: 
SILVA, Claudilene
 Sem elas não haveria carnaval: mulheres do carnaval do Recife/ Claudilene Silva; Ester Monteiro de Souza. - Recife: Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 2011. p.62.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Dona Santa (Rainha do Maracatu Elefante)

#Heroínas Anônimas

Dona Santa 



Por:Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco


Maria Júlia do Nascimento, a Dona Santa, a mais conhecida rainha dosmaracatus recifenses, nasceu no dia 25 de março de 1877, no pátio de Santa Cruz, no Recife, Pernambuco.

Antes de ser rainha do Maracatu Elefante onde ficou famosa, Dona Santa ou Santinha participou de congadas (dança de origem africana), das troças carnavalescas Verdureira e Miçangueira, foi rainha do Maracatu Leão Coroado e fundou a Troça Carnavalesca Mista Rei dos Ciganos, que se transformou depois no Maracatu Porto Rico do Oriente.

Filha e neta de africanos, tinha no sangue o ritmo da zabumba e do "baque virado" do maracatu.


Quando era rainha do Leão Coroado, casou-se com João Vitorino, abdicando do trono depois que seu marido foi escolhido para reinar no Maracatu Elefante, fundado, segundo várias fontes, em 1800.

Dona Santa foi rainha do Maracatu Elefante durante dezesseis anos, período em que a agremiação teve seu maior destaque. Ao ficar viúva, assumiu sua direção, porém só foi coroada no dia 27 de fevereiro de 1947.

O Elefante se apresentava na segunda-feira de carnaval. Dona Santa desfilava com um vestido à moda européia do século XIX, feito de seda, veludo, cetim, bordado com lantejoulas, miçangas e fios dourados. Levava um espadim de metal com o qual abençoava seus “súditos”, além de cetro, coroa, capa de gola alta, sapatos de salto fino, brincos, anéis, pulseiras e broches. Suas cores preferidas eram o amarelo, azul, branco e verde.

Figura tradicional e muito respeitada, Dona Santa reinou durante muitos carnavais recifenses e foi tema de estudos de vários pesquisadores, como por exemplo a norte-americana Katarina Real.

Dona Santa faleceu no Recife, em 1962, aos 85 anos.

O Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, atual Fundação Joaquim Nabuco, comemorou o centenário de nascimento de Dona Santa, em 1977, com uma mostra do seu rico acervo, doado à Instituição e que hoje se encontra no Museu do Homem do Nordeste.


FONTES CONSULTADAS:

BRITO, Ronaldo Correia de. A rainha sem coroa. Continente Multicultural, Recife, ano 3, n. 26, p. 76-77, fev. 2003.

DONA Santa, Rainha do Maracatu Elefante. In: O MUSEU do Homem do Nordeste. São Paulo: Banco Safra, 2000. p. Foto (neste texto) de Lula Cardoso Ayres, entre os anos de 1935 e 1940. Recife, Pernambuco (23x16cm).


OLIVEIRA, Gilka Corrêa de; SILVA, Maria Regina Martins Batista e. Exposição centenário de Dona Santa. Recife: IJNPS, 1977.


SILVA, Maria Regina M. Batista e. Dona Santa: rainha do Elefante. Recife: Fundaj, Inpso, Centro de Estudos Folclóricos, 1976. (Folclore, 2).

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. Dona Santa (Rainha do Maracatu Elefante). Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em:dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.